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Lula tenta esconder “Petrolão” com discurso inviável, dizem especialistas

O foco de Lula na política de preços de combustíveis, no entanto, é uma forma de desviar a discussão sobre as acusações de pilhagem na estatal na era petista

11/05/2022 às 10h02
Por: Redação RepercutePB Fonte: ESTADÃO
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 Lula tenta esconder “Petrolão” com discurso inviável, dizem especialistas

Pré-candidato do PT ao Palácio do Planalto, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenta contornar os escândalos revelados pela Operação Lava Jato com um novo discurso para a Petrobras. O petista já citou a estatal em pelo menos 20 postagens no Twitter desde 2021 – quando recuperou o direito de se candidatar após a anulação da condenação por corrupção e lavagem de dinheiro –, fez inserções na TV com a proposta de “abrasileirar” os preços dos combustíveis e, em discursos, explora a versão de que a empresa precisa se recuperar e se voltar ao desenvolvimento.

Com o litro da gasolina acima de R$ 7 na média nacional, os combustíveis foram assunto no Twitter em oito manifestações do petista, que, no sábado passado, oficializou a aliança com Geraldo Alckmin (PSB) na vice. Nelas, Lula defende a mudança da política de preços, o que a descolaria das cotações internacionais do petróleo – o chamado Preço de Paridade Internacional (PPI).

Especialistas ouvidos pelo Estadão, porém, avaliam que será difícil impor qualquer controle. Os motivos são o custo elevado da medida e o risco de desabastecimento do mercado. O problema ainda se agravou com a guerra na Ucrânia, iniciada há dois meses. O conflito tem pressionado as cotações internacionais do óleo cru e ajudam a perenizar os preços dos derivados no Brasil em níveis altos.

O foco de Lula na política de preços de combustíveis, no entanto, é uma forma de desviar a discussão sobre as acusações de pilhagem na estatal na era petista (2003-2016). Nesse período, a Petrobras ficou marcada pelos esquemas de pagamentos de propinas a diretores e desvios de recursos para abastecer caixas de partidos políticos, um “esqueleto” que deve ser lembrado na campanha eleitoral.

O discurso mais recente de Lula sobre a Petrobras teve como foco os preços dos combustíveis, que pressionam o bolso dos eleitores. Sua comparação com a visão de especialistas no setor de petróleo aponta possíveis dificuldades para uma futura política energética.

Até especialistas que são críticos da política da Petrobras reconhecem que pode ser inviável modificá-la no curto prazo. Isso porque, com essa política, a participação das importações no mercado nacional de combustíveis vem crescendo desde 2016.

Além do risco de desabastecimento do mercado de combustíveis, regras de governança introduzidas na petroleira nos últimos anos e o “fracasso” da tentativa de controle de preços de combustíveis no governo Dilma são citados como entraves para novas propostas nesse sentido.

Armando Castelar, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), destacou que simplesmente congelar os preços da Petrobras resulta em prejuízos para a estatal. Nessa hipótese, a empresa se desorganiza financeiramente. Também perde capacidade de investir, como ocorreu entre 2011 e 2016. Isso acaba se refletindo na capacidade da empresa produzir mais petróleo.

De acordo com a cientista política Maria do Socorro Sousa Braga, professora da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Lula busca retomar o discurso de que a Petrobras é um bem nacional que cresceu durante os governos petistas. “Os casos envolvendo corrupção nos governos de Lula e Dilma voltarão ao centro do debate político durante a campanha. É o tema que os adversários tentarão colar na campanha dele, numa tentativa de recriar o ambiente de 2018″, disse. No entanto, para ela, o sentimento antipetista é menor hoje, o que levará os adversários a ampliarem o discurso.

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